Voluntários do Sistema OCB/PB realizam ação em escola comunitária



A Escola Comunitária da Dona Boneca, localizada na comunidade do Iraque, no Bairro Cidade Verde, dá aulas diárias de solidariedade e cooperação. O espaço oferece alimentação, reforço escolar e lazer para 56 crianças em situação de vulnerabilidade social, de segunda a quinta-feira. Na sexta-feira, um sopão é distribuído aos moradores da comunidade. Este trabalho não existiria sem a iniciativa de Adeilda da Silva, uma verdadeira líder conhecida como dona Boneca, e sem a ajuda de missionários e voluntários.

Na última sexta-feira, os colaboradores do Sistema OCB/PB se juntaram aos apoiadores do projeto, em uma ação voluntária que fez parte do movimento Dia de Cooperar. Além do tradicional sopão da dona Boneca, houve um lanche especial com bolo, docinhos e salgados, além da entrega de várias doações. Entre os donativos, estava um fogão industrial e panelas comprados pela equipe do Sistema.

O fogão facilitará o trabalho de dona Boneca, que preparava 50 litros de sopão em um fogão improvisado com tijolos e lenha, na entrada de sua casa. A cooperativa Sicredi Evolução também doou várias caixas de alimentos como macarrão, arroz, feijão e café. E o lanche foi oferecido pela Classe A Buffet.

“Com este fogão, vai ter uma estrutura melhor. Eu sou gerente de cozinha industrial e trabalhei a vida toda com grande produção. Tem a questão de higiene. Um fogão desse com uma panela para fazer um cuscuz dá uma segurança alimentar melhor para as crianças”, comenta o missionário José de Sousa Lima Neto, que apoia o projeto há dois anos.

Para os colaboradores do Sistema OCB/PB, a tarde foi de muito aprendizado. “A história do projeto e o trabalho realizado por dona Boneca são muito inspiradores. Para nós, ela é um verdadeiro exemplo de cooperação”, comentou o gerente de Operações do Sescoop/PB, Flávio Lima.

Solidariedade na vizinhança

Dona Boneca se emociona ao contar a história do projeto, que ela iniciou ao se sensibilizar com a situação das crianças cujo cotidiano é marcado pela extrema pobreza. “Muitas delas não têm o que comer em casa, os pais são viciados... Tem muita gente daqui que passa necessidade. Eu passei necessidade na minha infância e sei o que é isso”, conta.

Com o dinheiro que ganhava vendendo pastéis, dona Boneca começou a ajudar os filhos de seus vizinhos em sua própria casa, feita com madeira e lonas. Por essa época, seu trabalho foi descoberto por missionários da Igreja Betel Brasileira, que estavam envolvidos num projeto de construção de uma casa para uma moradora de rua.

“Esse trabalho era feito na sala da casa de dona Boneca. A gente começou a tentar a melhorar a situação de vida dela. A igreja começou a arrecadar fundos para tentar melhorar a casa de dona Boneca, mas ela disse que não queria construísse a casa dela, mas um espaço melhor e com mais segurança para as crianças. Essas crianças não têm nada, as refeições que elas fazem e o refúgio delas é aqui. Dona Boneca tira até da sua própria refeição para não deixar faltar para as crianças”, relata o missionário José de Sousa Lima Neto.

Exemplo de cooperação

Com ajuda dos missionários e voluntários, a sala foi construída e equipada com quadro, televisão, ventiladores, cadeiras, livros, brinquedos e outros materiais pedagógicos. A escola também conta com estudantes voluntários que dão aulas de reforço para as crianças que estão na escola – metade delas não conseguiu vagas nas escolas públicas da região.

 “As crianças chegam aqui de 6h30, se alimentam, brincam, assistem televisão, tem aula de reforço e só vão para casa umas 17h. Tem crianças que saem da escola, não tem almoço em casa e vem para cá. Eu agradeço muito a todos os que me ajudam. Tanto eu ajudo minhas crianças, como ajudo minha comunidade”, conta dona Boneca.

Uma das voluntárias é Aline Martineli, uma estudante de Serviço Social. Ela tem formação técnica em Magistério, é também missionária e atua junto ao projeto há quase um ano. “A gente faz o reforço escolar com os alunos que conseguiram vaga nas escolas. Esse reforço é focado na questão da alfabetização. Tem também as atividades educativas, que ajudam a melhorar o convívio deles na escola, e o fato de ter alimentação aqui durante o dia também ajuda na permanência e no próprio desempenho escolar”, afirma.


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