Lideranças cooperativistas debatem sobre panorama e diretrizes no ramo crédito



Levar serviços financeiros a cada vez mais pessoas e contribuir para o desenvolvimento local. Eis algumas das principais aspirações das cooperativas de crédito, mas o que é preciso para atingir tais metas? Eficiência administrativa e responsabilidade socioambiental são essenciais neste contexto e deram o tom dos debates no workshop “Panorama, Diretrizes e Reflexões nas Cooperativas Financeiras”, realizado ontem e hoje, no auditório da OCB/PB, em João Pessoa. Promovido por meio de parceria entre a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e a Confederação Alemã de Cooperativas (DGRV), o evento reuniu lideranças de 14 cooperativas e centrais.

O evento teve uma programação de 16h/aula e foi conduzido pelo consultor da DGRV, Sílvio Giusti, e contou com palestras de representantes do Banco Central do Brasil. Para o presidente do Sistema OCB/SESCOOP-PB, André Pacelli, o evento promoveu um debate de alto nível sobre temas de interesse das cooperativas, além de aproximar os dirigentes do órgão regulador do setor.

“Conseguimos trazer um grupo expressivo de cooperativas aqui do estado e da região, dos dois principais sistemas - Sicoob e Sicredi - e cooperativas solteiras. A coordenação do Sílvio Giusti e a presença dos técnicos do Banco Central foi muito importante porque estabeleceu uma relação muito próxima com os dirigentes de nossas cooperativas, com debate sobre as boas práticas cooperativas e as determinações do Banco Central em suas diretrizes para as cooperativas”, avaliou o dirigente.

O consultor Sílvio Giusti também fez uma avaliação positiva do evento e falou sobre as perspectivas regionais. “Os conteúdos que nós trouxemos são de reflexo de mercado, com relação à concorrência e à competitividade das cooperativas. Dentro das diretrizes do sistema nacional de crédito cooperativo, existe também a questão de expansão para regiões e mercados pouco explorados. Portanto, o Norte e o Nordeste são regiões com grande potencial para as cooperativas”, afirmou. 

Ele elogiou, ainda, o empenho dos dirigentes paraibanos em prol do aperfeiçoamento das cooperativas. “O destaque desse evento é o comprometimento dos líderes em, cada vez mais, evoluir no processo de governança, na segregação dos conselhos de administração, na atuação eficiente do conselho fiscal e na execução adequada pela diretoria executiva. Também estão muito atentos à questão da inovação tecnológica e ao posicionamento da cooperativa enquanto elemento de interesse de desenvolvimento local”, acrescentou.

Participaram do evento dirigentes e representantes das seguintes cooperativas: Sicredi (Central NE, Centro Paraibana, Creduni, Alto Sertão Paraibano e João Pessoa), Sicoob (Central N/NE, Coopercret, Centro NE e União Paraibana), Credjust, Cooperlegis, CredFisp, CoopSebrae e Copresta. Também participaram representantes da Credconsult e da Emater. 

Crescimento e eficiência administrativa

Nos últimos anos, as cooperativas de crédito cresceram acima da média do Sistema Financeiro Nacional, apesar da crise econômica, segundo Alexandre Martins Bastos, Gerente-Técnico do Departamento de Organização do Sistema Finananceiro (Deorf/RJ) do Banco Central. Ele afirma que para serem financeiramente sustentáveis e manter seu crescimento, as cooperativas precisam ter eficiência administrativa.

Conforme Bastos, desde 2003 quando foi aberta a possibilidade de livre-admissão de associados, o segmento teve um crescimento superior ao do sistema financeiro. De 2016 a 2017, houve uma retração, mas a média de crescimento ainda foi superior a do SFN. Para 2019, ele acredita que a tendência é de estabilização.

“Talvez em razão da crise que vem, desde 2014, afetando todo o segmento financeiro, as cooperativas tenham retraído o crescimento. A gente acha que elas ainda vão crescer acima da média do sistema financeiro nacional, mas talvez um pouco menos, mantendo uma certa regularidade”, analisa.

Por outro lado, ele lembra o papel socioeconômico desempenhado pelo setor. “A gente espera que mais ações sociais sejam feitas, que as cooperativas possam trazer mais benefícios para a comunidade, levando serviços, estrutura e toda sua gama de produtos e serviços para que a população possa ser melhor atendida, e que as cooperativas possam se tornarem mais eficientes”, afirmou.

 

Responsabilidade socioambiental

As diretrizes e normas do Banco Central para o setor também foram abordadas pelo palestrante João Otávio de Oliveira Cavalcanti, Supervisor de Fiscalização do Departamento de Supervisão de Cooperativas e de Instituições Não Bancárias (Desuc/PE). Ele enfatizou a importância das cooperativas aplicarem as diretrizes e normas do Conselho Monetário Nacional, em especial, no tocante à responsabilidade socioambiental.

“É de extrema importância que as cooperativas de crédito também mostrem diferencial nisso, em relação as outras instituições do sistema financeiro, os bancos”, frisou. Ele também ressaltou a importância do workshop para a atualização dos dirigentes e gestores das cooperativas. Segundo Cavalcanti, o evento promove “uma ligação mais presente com a própria instituição reguladora”.

 

Evolução do setor

 

Segundo o consultor Sílvio Giusti, o workshop faz parte de um projeto realizado por meio de parceria entre a OCB e a DGRV desde 2008. Nos últimos quatro anos, a Paraíba sediou outros eventos promovidos pela parceria com o propósito de debater temas de interesse do setor. O consultor afirma que é visível a evolução do segmento neste período.

“O fenômeno da evolução das cooperativas, muito em função da evolução das suas lideranças, é muito perceptível em todo o país e na Paraíba não é diferente. As lideranças estão cada vez mais investidas de conhecimento e têm buscado uma capacidade melhor de tomada de decisão. Também há uma busca por mais eficiência na cooperativa por meio de suas avaliações, conselhos de administração, por meio da eficiência do seu conselho fiscal, por meio dos diretores na execução de suas tarefas”, comentou.

“É muito perceptível a evolução das cooperativas e das pessoas que estão a frente delas, dos presidentes, do conselho fiscal e de administração, e das diretorias. Estas pessoas têm buscado conhecimento para agregar à cooperativa. Isto vai surtir efeito  no quadro social para ter um atendimento melhor, produtos e serviços cada vez mais adequados, tendo uma condição financeira de aportar recursos para o bem de toda a comunidade”, finalizou.

 


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